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Cinco décadas de Liga Feminina
 
Localizada no Hospital Santa Rita – unidade oncológica da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre –, a Liga Feminina de Combate ao Câncer do Rio Grande do Sul mantém, hoje, 70 ligas regionais com sedes espalhadas por todo o Estado
 

Há 50 anos, um grupo de senhoras da sociedade, sensibilizadas com a precária assistência da saúde pública, particularmente em relação aos portadores de câncer carentes, teve a idéia de melhorar a assistência médica e social a esses pacientes. A atitude se ampliou, tornando-se um trabalho bem organizado, com o apoio de crescente número de voluntárias.

Hoje, só em Porto Alegre, são cem mulheres em ação para dar carinho e suporte aos pacientes oncológicos do Complexo Hospitalar Santa Casa. Sua ênfase continua sendo o apoio a pacientes de câncer carentes e o combate a essa doença, o que inclui ações de conscientização e educação da comunidade visando prevenção e diagnóstico precoce das várias formas de manifestações desse tipo de tumor. “Os doentes vêem no nosso trabalho um alívio para a dor”, diz Rejane Paz Bier, presidente da Liga no Rio Grande do Sul.

Trabalho organizado

O trabalho voluntário da Liga Feminina de Combate ao Câncer é desenvolvido no Estado através de setores e grupos específicos. Cabe ao setor promocional produzir eventos para a comunidade visando arrecadar recursos. Jantares, leilões de arte, desfiles de moda e o tradicional Baile da Glamour Girl são algumas das tarefas executadas pelas voluntárias desse setor. Com os rendimentos provenientes dos eventos, as voluntárias já compraram dezenas de aparelhos para o Hospital Santa Rita.

A Liga Jovem, formada pelas garotas que participam da promoção anual da Glamour Girl, desenvolve atividades recreativas para as crianças com câncer, internadas no Hospital da Criança Santo Antônio. É delas, também, a tarefa de organizar festas e eventos direcionados ao público jovem, todos com renda voltada para a Liga Feminina.

As voluntárias do setor assistencial agem junto ao leito dos pacientes do Hospital Santa Rita, dando-lhes conforto e atenção. Atuam, também, com as crianças internadas no Hospital da Criança Santo Antônio. “As crianças são uma alegria para mim. Chego em casa com novo ânimo. Os pequenos me esperam no outro dia”, diz Olenka Brunelli, que está na Liga há um ano, por convite de uma amiga.

Unidade móvel

Na sede, as voluntárias distribuem medicamentos e outros produtos e cuidam do transporte dos doentes em tratamento ambu­latorial. Em convênio com o Hospital Santa Rita, a Secretaria da Saúde do Município e o Serviço Social da Indústria (SESI), a Liga Feminina desenvolve um programa de prevenção e detecção de câncer ginecológico.

A Unidade Móvel da Liga, com apoio de uma equipe médica multidisciplinar, percorre a periferia das cidades realizando exames de prevenção do câncer do colo do útero. Além disso, o Ambulatório de Prevenção do Câncer Ginecológico, fundado em 1992 e instalado no térreo do Hospital Santa Rita, proporciona à população de baixa renda a oportunidade de realizar gratuitamente seus exames de prevenção desse tipo de câncer.

As voluntárias do setor de educação e prevenção realizam, com apoio dos médicos e outros profissionais, palestras em escolas, clubes de mães, vilas e empresas e distribuem folhetos e outros impressos sobre educação e prevenção em câncer. Também funciona na Liga o grupo Mama - Saúde, integrado por mastolo­gistas, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e voluntárias ex-pacientes, com o objetivo de apoiar mulheres com câncer de mama.

Do leite em pó à goiabada O setor assistencial, entre outras coisas, fornece ranchos para os pacientes carentes que estão em tratamento. “O rancho tem desde o leite em pó até a goiabada”, diz Prudência Sá, mais conhecida como Dencinha, que está há 13 anos no grupo e, orgulhosa, comenta que nunca faltou um dia sequer. “Se eu não venho, sinto saudades”, comenta. “Esse trabalho é tão sério, fazemos com tanto carinho, que somos muito bem recebidas pelas enfermeiras”. O envolvimento com os pacientes conquistou até a funcionária da Liga, Vera Martins. Ela passou a desenvolver atividades de fonoau­diologia com os laringeto­misados (pessoas vítimas de tumor na laringe).

Em sua maioria, as voluntárias da Liga integram o grupo por convite. Mas as atividades já são tão fortes que atraem pessoas como Sônia Mari Trindade, que bateu na porta da sede da Liga Feminina e se ofereceu para ser voluntária. “Gostei tanto que trouxe minhas amigas”, comenta.

Conquista

Em 2004, Rejane Paz Bier, presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer no Rio Grande do Sul, foi eleita presidente da Rede Feminina Nacional de Combate ao Câncer. “Ficamos felizes por nossa conquista, pois trabalhamos muito para isso”, diz.

O desafio agora é realizar o próximo Congresso Brasileiro das Ligas Femininas de Combate ao Câncer, que deve ocorrer em Porto Alegre em 2006. “Temos orgulho de sermos a entidade mais representativa do País”, diz Rejane, referindo-se às 70 Ligas espalhadas pelo Rio Grande do Sul. “Essa eleição foi um reconhecimento ao nosso trabalho”. As ativas voluntárias preparam agora um evento para 300 participantes, onde, certamente, não faltarão exemplos de solidariedade.

 



Ação: O trabalho voluntário é desenvolvido através de setores e grupos específicos
 
 


Doação: Em 2004 a Liga entregou à direção do Hospital Santa Rita dois novos monitores cardíacos
 
 


Eventos: Realizações como o Baile da Glamour Girl têm renda destinada à aquisição de novos equipamentos para o tratamento do câncer
 
 
 
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